quarta-feira, 19 de março de 2008

O retorno do Chupa-Cabra

População assustada com chupa-cabra

São Vicente Férrer // Hábitos dos moradores foram alterados depois que animais apareceram mortos com pescoço sangrando

Jailson da Paz
Da equipe do Diario





Sair de casa virou tormento para os moradores de São Vicente Férrer, no Agreste pernambucano. Temendo um ataque da fera misteriosa que já matou jumentos, ovelhas e cabras, nas últimas semanas, muita gente resolveu redobrar os cuidados. Uns evitam sair à noite. Os que vão para os roçados de dia seguem o destino apenas com armas em punho. Sejam pedaços de paus ou foices. A funcionária pública Silvana Egito, 42 anos, colocou cadeado na porta. Acredita que, ao agir assim, protege melhor os dois filhos, de 1 e 4 anos. "Agora, tudo é trancado. Só vou deixar a porta como antes quando descobrirem quem é esse assassino", adiantou.

A identidade do criminoso divide opiniões. Há versões de que seja um leão, um cachorro, um porco gigante ou um lobisomem. "Só sei que se fosse cachorro latia na hora de matar os animais. Ninguém ouviu um latido. Se fosse leão, matava e comia pelo menos um pedaço dos bichos. Teve bicho que só sangrou", considerou o estudante Roberto da Silva, 20. Ao seu lado, o amigo Erigleidson Franciscodo Nascimento, 25, aprovava os comentários de Roberto balançando a cabeça. "Isso é um mistério. O povo diz que até que é um guará mas, quem sabe, pode ser um homem virando um lobisomem", disse.

Orações - Morando a uns três quilômetros do trabalho, a servente Maria José da Conceição, 54, sempre gostou de rezar. Depois das mortes misteriosas em São Vicente Férrer, ela confessou ter se apegado ainda mais às orações. "Deus me livre encontrar com um bicho desse. Já ouvi história de gente virando cabra, mas bicho matando e chupando cabra, nunca. Só a história do chupa-cabra longe daqui no passado", afirmou.

Na década de 1990, uma criatura, batizada de chupa-cabra, furava o pescoço dos bichos. Ela apareceu em São Paulo, Minas Gerais e no Paraná. Também assim como no município pernambucano, a tal criatura furava os bichos e chupava o sangue. Se coincidência ou não, a oferta de carne de bode e ovelha aumentou na última feira (sábado) em São Vicente Férrer. Há quem diga que os criadores temem perder o patrimônio parao bicho desconhecido. Desconfiado, o agricultor José Fabrício da Silva, 67 anos, admite ter medo e passou a andar com um pedaço de pau. "Se passar na minha frente, eu toro no meio", prometeu.

É um lobisomem velho

A dona-de-casa Iranize da Silva Alves, 45 anos, ainda não viu a fera misteriosa que vem assustando os moradores de São Vicente Férrer. Jura, porém, ter ouvido o barulho emitido pela criatura. "Não é cachorro não, meu filho, e nem é leão como estão dizendo por aí. Acho que é lobisomem", acredita. Com o tom de voz seguro, Iranize disse que ouviu o bicho urrar três vezes, na semana passada, e arrastar um couro de algum animal na frente da sua casa. "Era madrugada. Acordei com medo e não me segurei na cama. Fui para o tamborete. Aí bateu uma dor de barriga que quase me acabei", confessou. Mesmo assim, confessou, continua a sair de casa antes do dia amanhecer para buscar lenha para cozinhar. "Como não tenho outra saída, passei a andar com um porrete na mão. Se o danado aparecer na minha frente, a gente se acerta". Iranize disse não ser a primeira vez que falam de lobisomem na cidade. "E pelo que estou sabendo, deve ser um lobisomem velho. Ele precisa levar um tiro grande. E no peito", defendeu. O tiro seria a única a maneira de quebrar o encanto da fera misteriosa.

Parece ser um leão

Ainda ressentido pela perda do jumento, há 15 dias, o agricultor João Francisco Gonçalves, 52, disse já ter visto o assassino misterioso. Mas, agora, sonha em dar novamente de cara com a fera que matou seu animal. "Queria me encontrar com esse bicho. Juntar os bigodes com ele. Ou ele me comia ou eu comia ele", repete aos quatro cantos. Medo, o agricultor diz que não tem do bicho misterioso. "Cheguei a ver o danado. O bicho era vermelho. Só vi um daqueles num circo no Rio de Janeiro", revelou. João Francisco confessou que, por estar ainda um pouco escuro, não deu para ver todos os detalhes do animal. Mas acredita que parecia com um leão. "Desse tamanho aqui", gesticulou, apontando para uma altura de mais de um metro. Para o agricultor, o urro era parecido com o do leão. "Quando a gente se aproximou do jumento, a criatura deu um berro que meu filho tremeu de medo", contou. "Nunca vi uma coisa daquela na minha vida. Ele comeu quase tudo da cintura para baixo", disse. O jumento, comprado por R$ 130 no ano passado, era usado para carregar água, capim e madeira.

Grunhe igual a porco

O caseiro Manoel Francisco de Freitas, 28 anos, não dorme direito desde a última quinta-feira, quando acordou no meio da madrugada com o berro de uma das cabras. "Quando abri a janela, vi um bicho, que parecia com um porco, puxando a cabra. Não tive dúvida, gritei", contou. Bastou isso para a fera misteriosa de São Vicente Férrer fugir. A criatura disparou no meio das bananeiras, mas o caseiro e sua mulher, Maria Natália da Silva, 22 anos, perderam a tranqüilidade. Segundo Manoel, o criminoso soltava apenas grunhidos como porco. "Não sou doido, não. Naquela madrugada, só saí de casa quando o dia clareou", disse. De quinta-feira para cá, a família mudou a rotina. Até o balanço dos filhos do casal que ficava perto de moradia foi tirado. "Quero os meninos perto de mim, pois não dá para confiar num bicho desconhecido correndo por aí. Se eles fizeram o que fizeram com as ovelhas e as cabras, acho que podem fazer o mesmo com uma criança", desabafou Natália. O casal trabalha na Fazenda Boa Vista, onde o criminoso abateu 25 animais na madrugada da última quinta-feira.

Isso é obra de cachorro

O fazendeiro Marcos Inojosa Campello disse não ter dúvida de que suas 25 cabras e ovelhas foram mortas por um cachorro na madrugada da quinta-feira da semana passada. Os prejuízos vem aumentando a cada dia e, ontem, ele contabilizava a morte de outras duas cabras feridas pela fera misteriosa. "Isso é obra de uns cachorros que andam soltos por aí", afirmou. Os cães foram vistos mais de uma vez em sua propriedade, a Fazenda Boa Vista. Ainda ontem, as marcas de sangue das 27 cabras e ovelhas feridas e mortas podiam ser vistas na cocheira em que costumavam ser presas no fim da tarde. "É triste você investir, criar os bichos com cuidado e chegar umas feras de longe e destruir tudo", lamentou. Pelo menos 10 dos animais mortos estavam prenhes. O sentimento de tristeza tomou conta da família de Marcos. As filhas pequenas, Ísis e Milena, andam assustadas. Temem se deparar com a fera. "Depois dos estragos, elas têm medo de ir até ao banheiro", disse a mulher do fazendeiro, Sally Campello. Marcos quer ao menos reaver osprejuízos, calculados em cerca de R$ 3 mil.

Fonte: Diário de Pernambuco em 19/02/2008

2 comentários:

Pedro disse...

cara!!! vou falar uma coisa.. boa parte de minhas férias na infancia foram em sao vincente... acho que nao seja um leão, afinal que diabos um leao ia fazer por lá ??? ele nao iria atravessar o oceano pra fazer uma festinha aqui iria ???naaao ! nao mesmo ! pode até ser uma brincadeira de muito mal gosto ! mais é esperar e procurar para ver ! sabe uma sugestao ??? que tal o povo armar um emboscada?? num custa nada !!! Valeu ai !^^

Anônimo disse...

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